Quando se pensa em pintura, certamente nomes como Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Pablo Picasso, Michelangelo Caravaggio ou Claude Monet vêm em sua mente, não é mesmo? Entretanto, engana-se quem pena que o mundo das artes é formado estritamente por pintores. Apesar de, em termos de repercussão, ser em um número bem menor, pois a invisibilidade da arte produzida por mulheres é, infelizmente, um fato presente, há muitas pintoras de talentos incomparáveis quando se trata da arte em telas. Pensando nisso, você não pode deixar de conferir a nossa série Mulheres na arte, pintoras importantes. Fique conosco e aprenda (ou relembre) as grandes artistas da História da Arte.

 

Quem abre nossa série é a brasileira Abigail de Andrade, considerada uma das primeiras mulheres pintoras no Brasil.

Nascida no Rio de Janeiro em 1864, Abigail de Andrade foi pintora e desenhista. Na literatura, não há muitos registros biográficos sobre sua vida. O que se sabe é o início de seus estudos de desenho que ocorreu após um ano do decreto que passou a permitir (você leu certo, leitor, é “permitir” mesmo pois estamos em 1882) que mulheres frequentasse a escola. Esse inclusive é um dos feitos de Andrade: em um período em que a mulher não era reconhecida como produtora de arte, mas apenas consumidora, ela se estabeleceu como uma artista de talento e, assim, aos seus 18 anos, participou da primeira exposição da Sociedade Propagadora das Belas Artes.

Estrada do Mundo Novo com Pão de Açúcar ao Fundo (1888)

Uma curiosidade: Abigail de Andrade foi umas das primeiras mulheres a conquistar uma medalha de ouro com sua obra. O prêmio foi concedido pela Exposição Geral de Belas Artes, da Academia Imperial de Belas Artes.

Hora do Pão (1889)

A artista foi aluna de Insley Pacheco e Angelo Agostini (com quem ela, inclusive, teve uma filha que também se tornou pintora) e em termos de influência, podemos fizer que Andrade bebeu nas fontes europeias, tendo por inspiração o realismo.

Trecho de Paisagem

Sua obra é marcada pelo retrato do cotidiano carioca bem como de paisagens, retratos e autorretratos e naturezas-mortas. Seu traço é realista e Andrade utiliza em suas telas cores bastante ousadas para a época.

Niterói (1885)

Infelizmente, há uma ausência de crítica bibliográfica sobre Abigail de Andrade.

Não é incrível ver como uma pintora brasileira praticamente revolucionou a arte? No próximo capítulo da nossa série, iremos para o México. Será que você já consegue intuir de quem falaremos?

Até lá.